Biografia

Até Jazz

O saxofonista Otis actuou para o líder da ONU, Kofi Annan, e para emigrantes de São Francisco a Hong Kong. Esteve vários anos nas bandas de Tito Paris, Paulo de Carvalho ou Roberto Leal e lança em NOvembro o quinto disco de originais. O moçambicano é um senhor músico.

foto Otis

O saxofonista Otis é daqueles músicos com currículo impressionante e, aparentemente, um quase desconhecido da sociedade civil. A sua vida musical percorre o jazz ao tradicional pelos cinco continentes, da natal África á histórica Europa ou cosmopolita América. O moçambicano é um todo-o-terreno. E muito "groove"! Vamos ao novelo da história.

O Otis, nasceu em Inhambane, Sul de Moçambique. O pai era maestro numa banda regional, por isso Otis esteve na escola de música local 12 anos. Mudou-se entretanto para a capital Maputo, então Lourenço Marques, frequentando os estudos gerais na Escola Comercial, que não chegou a concluir pela paixão da música. O "saxman" intregrou vários grupos, até ficar efectivo na banda da Rádio Moçambique, durante seis anos. O grupo fez uma extensa digressão em 1978, abarcando Cuba (11º Festival Internacional de Havana), Alemanha, Checoslováqia ou Bulgária.

Otis aproveitou a viragem na direcção da banda, em 1985, para vir para Lisboa, onde ainda reside (Linda-a-Velha). O saxofonista começou em pequenos projectos, sendo até músico convidado do Festival da Canção, no final dos oitentas. O cantor popular Roberto Leal viu-o e convocou-o de imediato para a sua banda, mas Otis só aceitou à terceira. Durante 12 anos, Roberto Leal correu as comunidades lusófonas de Caracas a Washington, de Paris a São Paulo. "Foram tempos maravilhosos. Conheci meio mundo e milhares de portugueses", recorda o moçambicano.

Da World Music ao House

Seguiram-se as colaborações com Paulo de Carvalho (quatro anos), Miguel & André (três anos), João Portugal (um ano) e Beto (um ano). O cabo-verdiano Tito Paris tembém o chamou. "Desenvolvi mais a 'world music' e conheci o outro lado do mundo, de Hong Kong a Madagascar. Sou um previlegiado", admite Otis, sincero. Vieram também convites de Rui Veloso. E até de Dulce Pontes, que em 1997, o desafiou a tocar consigo em Nova Iorque num concerto para o representante máximo da Organização das Nações Unidas, Kofi Annan.

foto Otis

Mas o admirador de jazz e dos saxofonistas Grover Washington Junior, Dave Kose e Kenny G (o que mais discos vendeu até hoje: 30 milhões) também é autor e compositor. O seu quinto disco, "Olhar para Trás", a fixar o espelho do tempo e a perspectivar a carreira; conta com colaborações de uma cantora alemã de jazz ou das coristas Dora & Sandra, dos Delfins. Nos discos anteriores de Otis, participaram igualmente Nucha, paulo de carvalho e os Anjos, entre outros.

Uma das últimas actuações a solo foi no "Língua da Sogra", em Esposende, na festa da revista Cidade 21. O cardápio incluiu standarts e temas improvisados. o público ficou contagiado. "Adorei o espaço, o bar exterior é excelentíssimo, a gente acolhedora. Divertimo-nos todos imenso!", sintetiza Otis, sorrindo.

Curiosamente, o intérprete que faz jogging no tempo livre tem-se dedicado ultimamente mais ao house, fazendo duplas com Dj em bares, discotecas ou casinos de Norte a Sul do país. "Sempre me abri à fusão de estilos, influências e novas tendências. É outra etapa da minha evolução como músico, e estou a gostar!", concretiza. Ele vai a todas.

Revista Cidade 21 | Texto: Nuno Passos